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Poema #8 - Novos Horizontes

  Faz tempo, não penso poesia. Não sinto, não puxo e não escrevo poesia. Faz tempo. Poesia não abraça minhas mãos inseguras na caneta. Perdi um tato com a palavra mas não foi só isso, minha forma que mudou só mudou e Poesia se metamorfizou para enquadrar no que que poesia precisa estar. Transformou-se num cheiro, num ar e silêncio. Me sussurrou um riso …  e foi levada pelo vento mas está!, o só levantou asas e o v — vá, Poesia! Viva!

Poema #7 - Correção de Sentidos

Textual foi corrigido para sal. Estudo foi corrigido para tudo. Árduo foi corrigido para menos tudo. Tentem foi corrigido para tem, tem. Crédito foi corrigido para sincrético. Classes foi corrigido para claras, e na segunda vez, substituída por calças. Item A foi corrigido para tem ar. Sei lá foi corrigido para Osella. Magina foi corrigido para Machine. Unirmos foi corrigido para ouvimos , o que é irônico; tantas palavras escutadas nenhuma transcrita como dita. Mas a culpa deve ser minha. Arremessei longe demais de seus contextos. Lancei de mim rápido demais à sua época. Se há culpado deve ser eu que não paro de dar luz a indispostas palavras aclamadas pela minha mente  semanticamente indigesta.

Poema #6 - Consciência v.1

Dentro do ser tem a bagunça tem a vontade por ordem tem o potencial para ação. Dentro do ser tem os órgãos tem o sangue correndo tem o bater de pulsão. Dentro do ser tem as organelas tem as células tem atividade em manutenção. Na borda do ser, na fronteira do que é, há a soma o empilhamento 3D em interação de toda molécula de todo átomo de todo elétron — o que vem antes da Ficção

Poema #5 - A Meta da Minha Linguagem

eu odeio a modernidade que arranca-me a possibilidade de algo sólido que não desmanche no ar. busco uma poesia que está fria, que não tem nada para oferecer. não tem carne, nem sustância, é só o osso da perna pra roer. poesia difícil essa que calcifica de mim.

Poema #4 - [sem título, 2025]

Não estou em busca de problema. Toda essa questão humana é pequena demais para o que vim fazer aqui. Minha memória agora me relembra, minha passagem pela vida imunda não é cultivar paixões mundanas daqui, Não é sonhar com uma família ou desejar acumular alguma milha no cartão de crédito black . Não estou aqui para fazer inimigos, meus inimigos já são declarados dizem respeito ao espíritos malignos que não se importam em ser uns safados Desejam. Não quero desejar como eles. Não quero pecar como eles ou ignorar o fato de que a Natureza, em toda sua majestosa beleza, é criação do Deus que dizem honrar. Desejam. São completamente cego seres. Não posso me cegar como eles e me permitir esquecer a pureza, em toda a sua imperfeição e tristeza, que há de ter meus irmãos amar. Não estou em busca de problemas. Não desejo troféus ou emblemas. Se não aceita meu perdão nada posso fazer a não ser respeitar teu espaço, me afastar desejando que algum dia você possa perdoar quem feria buscando amar.

Poema #3 - [sem título]

não nasci com dentro de mim uma palavra. por mais que existisse já tudo que conheço pela palavra. as quatro paredes de concreto, o gesso, a pia, o banheiro, o cupim comendo a porta, o pelo do gato, a falta de ordem, a louça suja, o desdém e até a promessa de que circos são engraçados e palhaços são para divertir (mas também com eles os assassinatos, os serial killers e aquelas coisas de webdeep, conquanto não houvesse a web  como bem a conhecemos: o espaço de rede em absoluto, sem freio : o espaço que estamos por navegar como seres solitários, performáticos, determinados ao que são, como se nascessem com nós lá dentro, a palavra, como se verdade fosse uma fotografia, parada que não se mexe, não se move, foi dita tem mil anos e não se pode provar no presente pois de tão vazio que nascemos o que mais queremos é alguma certa certeza de que existe uma essência essencial no âmago desde a nascença

Conversa Aberta #6 - Sonhos e Amadurecimento e Mundo Adulto

 Talvez não tenhamos nascido para realizar sonhos. Talvez não haja motivo para termos nascido. Estive pensando hoje em como amadurecer é abrir mão de confortos internos e seguranças pequenas, como é duro cultivar virtudes e responsabilidades, mais duro ainda querer ser moralmente elevado e de puro coração. Estive pensando na ideia de mentiras e traições. Como é fácil ser vilão, ou ao menos como é mais fácil ocupar o papel de alguém indiferente do que ser alguém verdadeiramente esforçado. Será que existe por aí, ainda, alguém para mim? Uma pessoa que tão profundamente me queira a ponto de profundamente desejar me compreender? Na mesma época do ano passado estive passando pelas mesmas situações que passo agora: um término, mudanças bruscas, visita para Minas Gerais, pequenos incêndios por toda parte, renascendo das cinzas. Nessa mesma época no ano passado eu buscava vingança, era mais imaturo, menos adulto, sonhava com mais fervo. Hoje? Diluo os sonhos na água da razão, do dia-a-dia,...