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Conversa Aberta #11 - Envelhecer

Há algo terrível em envelhecer. Uma morte, uma luz. Vejo meu corpo no espelho, a pele, o cabelo, estou em busca dos maus  sinais. Penso nos meus hábitos terríveis  e no quanto tive uma juventude imersa em hedonismos e loucura, além de uma busca insana por respostas que, agora que tenho, me sinto vazio. Dos dezoito até meus vinte e quatro tudo foi meio igual (por dentro). Repentinamente, estou com quase vinte e seis e parece que entendi tudo . Do nada, já não há mais espaço para inocências e tudo o que você precisa fazer é  agir , mas não sabe executar. É uma máquina de contemplação e a velhice te aponta isso: está envelhecendo e se silenciando. Mas não quero ficar calado, ou viver como seu eu nunca tivesse conhecido a plena alegria e um aconchegante amor. Não sou só alguém cheio de dores e traumas. Ninguém é. E não é preciso ser melancólico para ter legitimada a cicatriz. Nem precisa perder a fé, só porque outras pessoas são vazias. Virou mantra diário: não esquecer. Não ...

Poema #10 - Nossa Casa Cheia De Nossas Vozes

Tornou-se morte nosso amor. Por que escolheu sozinho o que nos diz respeito? Se algum dia pensei em te esperar, agora tudo é areia entre os dedos. Você escolheu minha solidão por mim. Foi viver teu sonho porque sim. Se entregou para uma paixão de um mês Mas não te julgo Faria igual Se estivesse solteiro Ou se fosse eu o próprio mal! Se orgulhe da escolha que fez Da relação que assassinou Encare o fundo dos olhos do amor que entregou ao acaso, ao caixão Encare e sustente na mão o peso de ter roído por completo o coração que percorreu o mundo por ti Sonhando sozinho o que acreditou sonhar contigo Mas, não Tornou-se morte a paixão Então, vá! Vá viver seu amor com Maria, se descobrir. Construa outras casas e me esqueça aqui escrevendo para você um livro das memórias que restou e sobre o café na pia que ainda não esfriou.

Poema #9 - Como Pode O Perfume Nascer Assim

O que resta é memória e com a memória eu faço arte Arte na verdade é poesia da poesia, um poema, este. Tenho vontade de dedicar uma Ode a você e brindar nosso Amor Tudo aquilo que nos fez sorrir Como a flor da goiaba virando fruto Meu destino foi você Agora sumido pelo mundo Distante do meu corpo Não sinto seu cheiro O que me resta é a memória dos dias bons que dormi em teu peito Mas a memória também faz questão de lembrar dos dias que, em prantos, me pus a chorar --- e onde estava você sua mão sumiu gritei socorro perdi meu posto já não sou o alguém que mais vai ligar Meu espírito conheceu tamanha aflição porque a alma já sabia do que fugia o coração: nosso tempo acabou! já não é mais para construir memórias, apenas reviva as que aí ficou entre dois corpos e finitos dias não esqueça o que no tempo alargou O que resta é memória Uma saudade inútil que machuca Sede por uma nova vida Desesperança. Meu corpo de terra mergulha no gozo e te lembra Resgata na memória tua língua, os dedos quen...