Há algo terrível em envelhecer. Uma morte, uma luz. Vejo meu corpo no espelho, a pele, o cabelo, estou em busca dos maus sinais. Penso nos meus hábitos terríveis e no quanto tive uma juventude imersa em hedonismos e loucura, além de uma busca insana por respostas que, agora que tenho, me sinto vazio. Dos dezoito até meus vinte e quatro tudo foi meio igual (por dentro). Repentinamente, estou com quase vinte e seis e parece que entendi tudo . Do nada, já não há mais espaço para inocências e tudo o que você precisa fazer é agir , mas não sabe executar. É uma máquina de contemplação e a velhice te aponta isso: está envelhecendo e se silenciando. Mas não quero ficar calado, ou viver como seu eu nunca tivesse conhecido a plena alegria e um aconchegante amor. Não sou só alguém cheio de dores e traumas. Ninguém é. E não é preciso ser melancólico para ter legitimada a cicatriz. Nem precisa perder a fé, só porque outras pessoas são vazias. Virou mantra diário: não esquecer. Não ...
pedaços de alguma alma humana