Pular para o conteúdo principal

passando por um intenso rebranding... #devaneios

 Estou fazendo alguns pactos comigo. Entendendo outras coisas mais. Decifrando alguns mistérios e entendendo o que é preciso mesmo, com qual mentalidade, frequência e ao lado de quem. Talvez seja o fato de eu ter usado muito ácido e maconha ao longo da minha vida, ou só a minha plena e pura loucura hereditária, mas algo está mudando tanto em mim. Achei que fosse ser a mesma coisa para sempre, mas chegou o meu tempo de mudar. Nunca fui a mesma coisa, só tenho vontade de ser o mesmo, mas não sou o mesmo e nem nunca fui. Mas talvez querer ser o mesmo fale sobre uma coisa que considero muito bonita em mim, talvez eu seja parte de uma linhagem de frutos, não só mais uma árvore aleatória. Uma linhagem de árvores que dão as mesmas frutas tem séculos. Eu não sei dizer se sou gentil. Sinto medo de confiar nas pessoas, mas eu desejo tanto confiar no outro. Nunca vi um da minha espécie em condições plenas de suas próprias existências. Há um horror terrível. Terrível no bom sentido. Horror pois espanta mesmo. O medo é real, mas ele é legítimo? Um dia um anjo vem te visitar e você se curva em posição fetal. Fica parecendo um bebê chorão, inofensivo e frágil na mesma medida. O anjo te olha e você está assim, mas com a pele toda envelhecida, és um bebê velho. Mas o anjo percebe o tempo em você como você percebe numa árvore, sem julgamento, apenas atesta as características e te observa ridículo encolhido pelado no chão, chorando igual um bicho que acabou de apanhar muito, tomar chute, cuspe, foi feito de depósito de raiva e desejo e angústia e curiosidade e impulsos íntimos de seu ser, alheio a tudo e todos, infinitamente infinito, assim é para o anjo, um pedaço inocente e nojento de vida. Algo que dá dó. Não tem vontade de pegar para ajudar, quer só que pare de chorar. Te cutuca com um graveto, você chora, nem percebe que tem um anjo ali. Sua mente é tipo de uma mosca, não diferencia poste da lua, se move pelo mundo através do que a fisioquímica te conversa. Que bicho primitivo.
 Os pactos que faço comigo são do tipo... "pare de chorar, olha que bonito, você sabe não só diferenciar, mas explicar a diferença entre a luz da lanterna e a luz da lua! valorize-se. (...) não chore na frente dos anjos."


Meu Nascimento (1932)

Nascida no México em 6 de julho de 1907, Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderó

Postagens mais visitadas deste blog

Ensaio #5 — O direito de existir na diferença: uma leitura de “Sintomas mentais e a ordem pública”, de Erving Goffman, em diálogo com “O metafísico no homem”, de Merleau-Ponty

  introdução A leitura de Sintomas mentais e a ordem pública , de Erving Goffman, desloca algo que, no cotidiano, costumamos tomar como um dado factual: nossa sociedade é isso e não há como mudar. No entanto, aquilo que geralmente aparece como organização natural da vida social revela-se, pouco a pouco, como uma construção sustentada por normas, expectativas e convenções frágeis. A ordem deixa de ser um dado e passa a ser um arranjo delicado, sempre à beira do conflito. Quando esse texto é colocado em diálogo com O metafísico no homem , de Merleau-Ponty, o deslocamento se aprofunda. Se, em Goffman, a ordem é um produto social, em Merleau-Ponty a experiência humana aparece como algo anterior a qualquer sistema de normas. O existir vem antes da regra. A percepção vem antes da classificação. O corpo vivido vem antes do diagnóstico. Logo nas primeiras linhas, Goffman afirma que aquilo que os psiquiatras reconhecem como doença mental é, quase sempre, visto antes pelo público como co...

Poema #2 - Quando Me Vi Universalizado

Quando me vi universalizado não foi quando encarei o espelho, não foi quando vi de um peito o chute de um coração. Não me vi universalizado no livro escrito um bom conselho que dizia-me: a alma é leito do amor à tentação. Quisera eu mimosas colchas para meu espírito meditar sobre do que é feita alma e qual a cor de acreditar num Deus que cria conchas, do barro faz Gente respirar até desacreditarem na alma e da Força que a fez brotar. Quando me vi universalizado chamei de vadia minha prima, cortei minha barriga com as unhas, desejei ser como a seiva entre a pressão dos meus dedos. Me vi universalizado no ato de humildade ao assumir os meus erros. Lembrei-me da rima: bela e singela. Dos meus pecados fui testemunha, quando me universalizei não fui Deus, só esta coisa que se supunha.

Ensaio #4 - Matisse, Todorov e O que é Arte?

    Introdução      Matisse sonhava com uma arte sem sentimentos conturbados, que não carregasse conflito problemático, mas fosse puramente equilibrada, tranquila, sem temas de inquietação.         Por mais que eu particularmente goste do ato de conhecer coisas sem saber muito sobre o autor, há questões específicas que chamam a mim atenção, por exemplo: o ano em que coisas são feitas, ditas, expressas, nascidas e mortas.      Matisse nasceu em 1869 e foi morrer no ano de 1954, viu muita coisa, apreendeu e teve tempo de pensar muita coisa, isso enquanto artista, alguém que gosta de fazer coisas bonitas .        Enquanto filósofo  — quem diria que me chamaria assim algum dia  —  seria de bom tom definir o que quero dizer por bonit- , mas não preciso. Aqui eu quero que pegue o que conhece de senso comum, do que já ouviu falar, é sobre isso aí que falo. Se um dia já ouviu essa palavra, quero ...