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Poema #9 - Como Pode O Perfume Nascer Assim

O que resta é memória
e com a memória eu faço arte
Arte na verdade é poesia
da poesia, um poema,
este.

Tenho vontade de dedicar uma Ode a você
e brindar nosso Amor
Tudo aquilo que nos fez sorrir
Como a flor da goiaba virando fruto
Meu destino foi você
Agora sumido pelo mundo
Distante do meu corpo
Não sinto seu cheiro
O que me resta é a memória
dos dias bons que dormi em teu peito
Mas a memória também faz questão de lembrar
dos dias que, em prantos, me pus a chorar
--- e onde estava você
sua mão sumiu
gritei socorro
perdi meu posto já não sou o alguém que mais vai ligar
Meu espírito conheceu tamanha aflição
porque a alma já sabia do que fugia o coração:
nosso tempo acabou!
já não é mais para construir memórias,
apenas reviva as que aí ficou
entre dois corpos e finitos dias
não esqueça o que no tempo alargou

O que resta é memória
Uma saudade inútil que machuca
Sede por uma nova vida
Desesperança.

Meu corpo de terra
mergulha no gozo e te lembra
Resgata na memória tua língua,
os dedos quentes,
a pele pingando um suor
que aprendi a me molhar.

Meu corpo de terra
se enterra num gozo
que de mim faz jorrar
o movimento de onda e mar.

O que resta é memória
Me ajudando a gozar
a desesperança que sua ausência traz.

O corpo mergulha no gozo,
mas dentro de mim há só um espírito que chora triste
este prazer de um lívido jacinto.

Tua brusca despedida roeu-me a vida
--- e dói demais gozar sem poder te amar
Mas ainda sobra a memória
o resíduo de nossa história
A sombra de uma vitória
Que se aconchegou em escória
Tornou-se líquida quimera
entre o desejo ardente de te ver de novo,
a fabulação de um romance vitorioso,
o impulso de escrever um livro de semificção,
a elaboração de uma narrativa, que sem fôlego para tal,
só poderia acabar por ser esta poesia.

Por isso escrevo para você,
Hugo,
este amor inusitado
que cegamente me entreguei.

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