Pular para o conteúdo principal

Poema #7 - Correção de Sentidos

Textual foi corrigido para sal.

Estudo

foi corrigido para

tudo.


Árduo

foi corrigido para

menos tudo.


Tentem

foi corrigido para

tem, tem.


Crédito

foi corrigido para

sincrético.


Classes

foi corrigido para

claras,

e na segunda vez, substituída

por calças.


Item A

foi corrigido para

tem ar.


Sei lá

foi corrigido para

Osella.


Magina

foi corrigido para

Machine.


Unirmos

foi corrigido para ouvimos,

o que é irônico;

tantas palavras escutadas

nenhuma transcrita como dita.
Mas a culpa deve ser minha.
Arremessei

longe demais

de seus contextos.

Lancei de mim

rápido demais

à sua época.

Se há culpado deve ser eu

que não paro de dar luz

a indispostas palavras

aclamadas pela minha mente

 semanticamente indigesta.


Postagens mais visitadas deste blog

Ensaio #5 — O direito de existir na diferença: uma leitura de “Sintomas mentais e a ordem pública”, de Erving Goffman, em diálogo com “O metafísico no homem”, de Merleau-Ponty

  introdução A leitura de Sintomas mentais e a ordem pública , de Erving Goffman, desloca algo que, no cotidiano, costumamos tomar como um dado factual: nossa sociedade é isso e não há como mudar. No entanto, aquilo que geralmente aparece como organização natural da vida social revela-se, pouco a pouco, como uma construção sustentada por normas, expectativas e convenções frágeis. A ordem deixa de ser um dado e passa a ser um arranjo delicado, sempre à beira do conflito. Quando esse texto é colocado em diálogo com O metafísico no homem , de Merleau-Ponty, o deslocamento se aprofunda. Se, em Goffman, a ordem é um produto social, em Merleau-Ponty a experiência humana aparece como algo anterior a qualquer sistema de normas. O existir vem antes da regra. A percepção vem antes da classificação. O corpo vivido vem antes do diagnóstico. Logo nas primeiras linhas, Goffman afirma que aquilo que os psiquiatras reconhecem como doença mental é, quase sempre, visto antes pelo público como co...

Poema #2 - Quando Me Vi Universalizado

Quando me vi universalizado não foi quando encarei o espelho, não foi quando vi de um peito o chute de um coração. Não me vi universalizado no livro escrito um bom conselho que dizia-me: a alma é leito do amor à tentação. Quisera eu mimosas colchas para meu espírito meditar sobre do que é feita alma e qual a cor de acreditar num Deus que cria conchas, do barro faz Gente respirar até desacreditarem na alma e da Força que a fez brotar. Quando me vi universalizado chamei de vadia minha prima, cortei minha barriga com as unhas, desejei ser como a seiva entre a pressão dos meus dedos. Me vi universalizado no ato de humildade ao assumir os meus erros. Lembrei-me da rima: bela e singela. Dos meus pecados fui testemunha, quando me universalizei não fui Deus, só esta coisa que se supunha.

Ensaio #4 - Matisse, Todorov e O que é Arte?

    Introdução      Matisse sonhava com uma arte sem sentimentos conturbados, que não carregasse conflito problemático, mas fosse puramente equilibrada, tranquila, sem temas de inquietação.         Por mais que eu particularmente goste do ato de conhecer coisas sem saber muito sobre o autor, há questões específicas que chamam a mim atenção, por exemplo: o ano em que coisas são feitas, ditas, expressas, nascidas e mortas.      Matisse nasceu em 1869 e foi morrer no ano de 1954, viu muita coisa, apreendeu e teve tempo de pensar muita coisa, isso enquanto artista, alguém que gosta de fazer coisas bonitas .        Enquanto filósofo  — quem diria que me chamaria assim algum dia  —  seria de bom tom definir o que quero dizer por bonit- , mas não preciso. Aqui eu quero que pegue o que conhece de senso comum, do que já ouviu falar, é sobre isso aí que falo. Se um dia já ouviu essa palavra, quero ...