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#devaneios - corre atrás mané

 há Olinda se transformando bem na minha frente, gritando para se tornar uma menina que perambula pelas ruas de Ouro Preto, Vila Rica, na verdade. me diz que vive num passado distante, mas que não é real, é mágico. então, quer que o pescador pesque essas histórias, esses contos, compartilhe com o contador e é assim que o contador sabe de tudo.

vivo um dilema. ao mesmo tempo que gostaria de hiperjustificar os meus romances, tem algo que sinto que se eu passar de mais vira pecado, algo que já não brilha mais como antes. dá para polir, mas aí é mais trabalho ainda e sinto que o contemporâneo são tempos preguiçosos. nos querem dormentes, querem que a gente tenha nossos vícios. preferem nos dar tudo no meia boca, nos amortecer. não existe papo de empreendedorismo, influenciador no mundo ideal, utópico. as pessoas são pessoas no bom estado, que não pode mais ser chamado de estado, nem nação, mas uma terceira coisa que não contempla o idioma português. este idioma que não contempla nem meus gradientes de gênero, mas sou eu que me inclino à Língua?

estou a elaborar uma pesquisa. estudar um pouco o gosto. delimitar e analisar, não julgar. julgamento é muito pobre para mim.

percebo que fugi de tantos adjetivos. aos treze colecionei palavras proibidas. então sustentei e reformulei a lista ao longo dos anos, até que aos dezoito tudo já estava muito bem internalizado. sinto que minha vida são constantes fabulações. me programei no passado e percebo que o que me orientou internamente não vale para o meu presente. preciso totalmente me reprogramar, conectar ali com aqui, repensar, refazer o trabalho das paredes, o reboco, lixar, tá tudo não prático para a minha realidade presente que, convenhamos, é a melhor, sei disso.

apesar de tudo, quero abrir uma empresa. mas não tenho tempo para abrir uma empresa. mas preciso vender. minha relação com vendas também é algo conturbado. vendia as coisas na escola, doces que minha avó fazia. já fui na rua fazer trabalhos missionários e falar com as pessoas. nunca tive problema com pessoas. até ter. e os problemas, até tornarem-se problemas, custou. não foi da noite para o dia que a luz se fez. mas de um instante para o outro. o que se fez ao longo do tempo foi a articulação dos eventos para isso ocorrer.

eu penso. não sinto vergonha ou medo apesar de, obviamente, sentir vergonha e medo. só que são esses os sentimentos que precisam ser atravessados caso não sejamos narcisistas e psicopatas.

para que servem filósofos? qual a minha utilidade para o mundo em termos práticos o que preciso mais viver e fazer para melhorar a qualidade de vida, eu penso. e sinto vergonha de não ter as respostas, me sinto amedrontado de nunca ter resposta alguma. eu minto. com a linguagem se faz o que quer. mas não tudo. o português, por exemplo, não me contempla e quando contempla não resolve. para mim o idioma precisa do yle, de algo assim, desse tipo, mas os bloqueios, as regras, as narrativas e programações que preciso todas quebrar...

não quero falar palavrão ou amaldiçoar. melhorar requer mesmo muitas regras. mas a mais importante talvez seja a pura e plena do amor e da gratidão porque não adianta eu falar a língua dos anjos e o caralho-a-quatro, mas nada disso ter base no amor. não adianta eu ter toda a sabedoria do mundo, todas as maiores riquezas, dons, se nada disso for feito e sustentado no Amor. eu sei felizmente o que É.

era para eu estar em aula agora. mas a cabeça precisa desinflamar, desinchar. então busco constantemente pontos para desafogar. o tempo todo estou me afogando. acho curioso. por que algumas pessoas se afogam mais do que outras?

para um escritor acho que dói algumas renúncias, mas é importante saber que não se pode falar tudo, mas mostrar somente algumas brechas e o restante deixa solto como pó no ar, filamentado.

tenho um conto onde a personagem se desdobra nos sons vocais. uma tarde num domingo qualquer, acho que é assim o título. está no livro, não lançado, que leva esse nome e outros contos. decidi esses dias se jogo para o ar tudo que produzi até então e reinicio do zero. é duro, ein. tanto de suco que vai precisar sair dessa laranja. por isso preciso comer. comer muito. me nutrir. não ter medo de renascer... acordei pensando nisso... renascer. então nos motivos que nos levam a desentendimentos. então pensando em fé e beleza e como, apesar de tudo, eu amo onde estou na minha vida que não dou conta totalmente, mas o mais importante faço: a aproveito.

desde jovem sou apontado como hedonista por algumas pessoas. concordo. quando conheci o termo, por conta do retrato de dorian gray, me identifiquei um pouco. nisso eu tinha dezesseis anos, mas já identificava em mim esse impulso direcionado à satisfação de antes.

as pessoas vão te ler se te apresentarem. precisam falar sobre você! saber quem é e conhecer seu trabalho! mas não é essa disposição que sinto. também sinto culpa de ter os holofotes porque sei que sempre há alguém que quer mais. eu não quero eles, só reconheço que são necessários. meus impulsos não me fazem cair no necessário, mas na satisfação, no que me agrada internamente mais, de um modo nada objetivo, total íntimo. mas preciso fazer o que não quero muitas vezes, ter o que não quero, vai ser bom em algum momento. que saibamos lidar. gostaria de pensar mais o mundo. não sei como, mas gostaria. parece que penso muito, mas é sem a qualidade que quero. não há qualidade só quantidade nestes devaneios. me sinto magro ou melhor gordo. coisas me pesam sem precisar. estou desnutrido. nem gordo nem magro, apenas sem o necessário. também, como vou ter o necessário? corre atrás mané.

eu realmente genuinamente do fundo do meu coração gostaria de ganhar bruto por volta de uns 50 milhões de reais na mega-sena. iria investir uns dez milhões em liquidação diária. então mais uns dez milhões em algo pra daqui 5 anos. então eu pegaria 5 milhoes pra investir em algo mais pesado, então mais uns 10 milhões para a minha empresa comunista, sabe-se-lá como isso funcionaria. investiria em muito profissional de qualidade. criaria uma marca, um nome, algo para competir com todos esses canalhas. Jesus é a manifestação disso, acho. não há marketing no mundo como o que o querido JC se tornou. vendeu simplesmente terreno no céu em prol de fé. mas não quero terreno no céu, mas aqui na terra, aqui mesmo. não me importa vida após a morte.  me importa esta aqui, bem linda, onde tenho tanto pra pisar, respirar. não gostaria de morrer. gostaria de me filiar num partido, trabalhar minha imagem, encontrar as melhores palavras, os melhores discursos, o método do discurso da emancipação. as pessoas pensaram por si, e vão entender a graça genuína de Deus, vão encontrar sua função, ver que o mundo não é só isso que chamam de ocidente ou brasil ou qualquer coisa que seja.

quando paulo disse na carta para Galatas que em cristo não existe judeu, mulher, homem, ele estava correto. quando foi dito que o amor é o que faz todo dom ter verdadeiro valor, isso também é correto. sinto tão forte nos meus ossos. como tem gente que não vê esses fatos? o que isso diz sobre o mundo, sobre nosso funcionamento? por que me interessam essas coisas desnecessárias?

há Olinda, mas há Amado também, num outro canto, outro brasil paralelo, onde a distopia é mais latente e a política se faz mais necessária. quero me guiar na política, na educação, na literatura. escrever, ler, falar com pessoas sobre isso. ser escutado, lido, aplicado. que possamos aplicar os conhecimentos, se não de nada eles valem, afinal. sinto que nasci para ser um príncipe, um lindo e belo príncipe. às vezes acho que sou e é tão gostosa essa sensação de boa vida, de amor, de acolhimento. as pessoas não sentem isso? não são tocadas por esse tipo de coisa?

o problema de querer que as pessoas tenham interesse por você ou de abrir essa porta é que então tudo o que faz precisa ser realmente pensado pois estará sendo monitorado. a não ser que restrinja as faces, os interesses. seja um deus. como deus. você é um deus. tipo um. dos mais fraquinhos. Amado tem esse tom de voz. mas também é muito gentil. só que ácido, muitíssimo ácido. sabe certinho como tudo funciona, mas seu viés é sempre para o mal. então não sabe,  só se engana.

queria me distanciar totalmente do mundo, me desligar de tudo, absolutamente tudo, só focar em ler, ler a pilha de romances que só li até a metade. pra mim é mais vantajoso ter lido 10 livros pela metade e mais tarde acabar eles do que começar e acabar 5. mais estimulante do meu jeito. acabo três, quatro, ainda assim. mas não queria ser assim. quero começar e acabar cinco. não ter pressa para as coisas. ir fazendo, desenvolvendo, pensando. sinto fome, sede, mas também apenas um momento de sentir, estar. gosto de sorrir. de tomar sol. sei o que me contempla e faz. não sei porque deixo o mundo barulhento me afogar.... mas meio que é sobre isso. não escolhemos o momento do afogamento, só acontece. igual tudo. tudo só acontece. que saibamos atravessar as águas turbulentas. 

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