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Ensaio #2 - O que minha retina viu, o que meu cérebro processou

Introdução

Preciso que saiba: o intuito desse segundo ensaio é ambicioso.

Quero entregar um retrato do mundo, da Babilônia, que você vive. Também gostaria de convidar você a repensar suas atitudes do dia-a-dia, o sistema que você vive e te ajudar a responder a pergunta: é possível a gente viver num lugar, num brasil, melhor, mais justo, que esse?

Antes, recomendo fortemente ler este post e também este ensaio. Quero destacar: não sou anarquista ou comunista. Se for para me definir, me defina como um animal que pensa, conhece o amor e tem fé. Me chamem de anticapitalista, ambientalista, socioeducador, cristão, intelectual em formação, mas, já na superfície, é possível ver que sou muito mais. Apenas um animal que pensa, conhece o amor e tem fé.

Ser um animal me concede, primeiramente, um corpo em matéria que sangra, sente dor, sente alegria, tem sentimentos e ocupa um espaço-tempo nas "ciências naturais" deste universo. Ser um animal que pensa significa que eu, além de ser composto, permeado e regido por todas essas partes "orgânicamente-vivas", também sou capaz de, a partir de associações, processar, computar e concluir num plano "pr'além corpo em matéria" padrões, visões. Conhecer o amor e ter fé é o motivo que me faz acreditar enxergar o caminho para o "melhor jeito" de verdadeiramente viver as nossas vidas, e me pergunto, qual seria o papel de uma "sociedade" para bem permitir que possamos todos nós percorrer esse trajeto?


Não vou dizer que aqui vou trazer todas as respostas do mundo, pois ainda me falta estudar muito e também amadurecer (e estamos no blogger.com). O que prometo são as minhas impressões iniciais enquanto jovem adulto curioso, cuja vida neste corpo se inquieta por saber de sua impotência e irrelevância, não cósmica, mas social. Não sou nada, não sou ninguém. Num mundo de bilhões de pessoas, não passam de duzentas as pessoas cuja minha vida realmente importa e tem algum valor. Mesmo dessas duzentas pessoas, não são todas que querem saber o que eu tenho para compartilhar. É dificílimo segurar a atenção das pessoas, ainda mais quando o assunto não é de seu genuíno interesse, afinal, quantas pessoas realmente se interessam por política?

Quantas são as pessoas na nossa nação brasil que conhecem tudo sobre as eleições, cargos institucionais, constituições, economia; quem pode me ensinar sobre administração pública, distribuição de renda, impostos, empregos; quem seria capaz de falar para uma criança de cinco anos o retrato do mundo que vivemos?

Não faço ideia, mas eu gostaria de ser uma dessas pessoas.

Genuinamente.

Se tenho mais uns oitenta anos de vida, como posso me movimentar para garantir que depois que eu morrer, um legado de revolta e pensamento vai pelo brasil ainda se perpetuar?

Não vou reduzir minha vida à luta. Sou um animal que pensa, conhece o amor e tem fé. Seria burrice algo assim. Vivo pois então, um dia após o outro. Que é tudo o que tenho.

Faço planos, sonho, mas só tenho mesmo um dia após o outro - e Cristo ao meu ombro.


Esse ensaio começou a ser escrito no dia 20 de janeiro de 2025. 

O que minha retina viu, o que meu cérebro processou

Quando eu tinha três anos (data da minha primeira memória) política não era assunto do meu interesse, nem uma palavra no meu vocabulário, mas quando eu tinha seis anos, ainda que política não fosse assunto do meu interesse e nem uma palavra no meu vocabulário, já era um assunto que permeava minha vida.

Em 2006, houve eleição presidencial. O presidente Lula estava concorrendo à reeleição. 2006 também foi o ano que a vida da nossa família realmente deu uma "guinada" e saímos de para a classe média (ainda que só em 2009 um apartamento começou a ser financiado e trocamos nosso Fiat UNO por uma Zafira). Meus pais eram professores, davam aula em escolas particulares onde pessoas endinheiradas estudavam e, nesse tempo, começou a crescer em mim uma enorme vergonha a respeito das minhas origens e a história da minha família.

Enquanto ouvia da boca dos pais de colegas o quanto o Lula era um fiasco, quebrando o Brasil, estava vivendo na pele o resultado da sua boa administração pública e Governo. Sentia vergonha por ter simpatia por um senhor que parecia ser odiado pelos pais dos meus colegas. 

Mas no dia das eleições de 2006, fui com meu pai até a urna e apertei 13, feliz. Não tinha todas as palavras na mente, mas já sabia bem o que estava em andamento: a decisão para o próximo presidente do brasil.

Anos foram se passando e a vergonha, confusão (oriunda da falta de uma educação social, causando uma falta de consciência de classe) e a doutrinação religiosa foram buscando e encontrando espaço para assentar massa nas estruturas do meu ser. Até 2014, eu era contra a legalização do aborto e acreditava que pessoas gays seriam mais burras e infelizes a partir do momento que se assumissem gays (era um dilema interno que eu sofria), por exemplo. Também morria de vergonha de ter vindo de periferia, ter crescido ouvindo Racionais MC's e por nunca ter saído do país, até então.

Em 2015 conheci o feminismo neoliberal. No mesmo ano conheci o feminismo negro e me afastei do feminismo liberal. Em 2016, aconteceu as paralisações nas escolas públicas de São Paulo, mesmo cursando em uma escola particular, conheci o precário canal Mamãe Falei (notei que o seu autor era baixo desde o primeiro contato) "falando" sobre essas paralisações a partir de um amigo da época, defensor e pequeno entusiasta do Mamãe Falei. Nesse período foi quando tive dimensão de que política é assunto conflituoso, pois quase todo almoço tinha longas e longas discussões políticas, onde eu defendia o que defendo até hoje (mas sem o vocabulário que tenho hoje em dia).

De 2016 até 2023, minha relação de pensar a política, o mundo, se deu numa constante exponencial. Fui aprimorando e lapidando meu pensar, bem vivendo, absorvendo o que chegava até minha retina e processando com o cérebro, corpo, espírito essa nossa abrangente e multifacetada realidade.

Mas foi só em 2023 que todo esse pensar conheceu um caminho para se materializar. Foi a primeira vez que estive perto de pessoas de partidos políticos e também a primeira vez que conheci pessoas com genuína vontade por libertar as pessoas desse sistema adoecido e mobilizar e se organizar ao redor de pautas sociais e políticas. Tive muito interesse em me filiar nos partidos, mas sou cristão e Deus mostrou que ainda não era o momento. Mesmo assim, tentei levar uma vida de militante, fui tentando (e conseguindo) encaixar alguns compromissos ali, aqui, até que em alguns meses notei que tem algo muito de errado. Não com os partidos ou as pessoas, mas a metodologia, a estratégia (ou falta dela) desses partidos e pessoas.

Não sou melhor que ninguém, tenho falhas e muitas vezes me engano. Não sou melhor que ninguém, mas eu sei no que sou bom, sei dos meus pontos fortes e se me engano é para que a verdade possa depois ser revelada a mim. 

Não tenho todas as respostas, sou apenas um mero ser animal que pensa. Tenho pêlos, calos no pé, bactérias nas axilas, na boca, debaixo da unha; uso dentes para rasgar, produzo cera e menstruo. São essas qualidades o que me torna um mero animal, apenas mais uma combinação energética da natureza.  Mas entre essa combinação, entre o animal, eu penso. 

E não penso de qualquer jeito. Conheço o caminho, o amor. Meu pensamento, meu espírito, este resultado pensante que é uma relação pensamento-pensamento, salpicada por um ente Espírito; este meu pensamento, este, não se faz de qualquer jeito. Se faz embebido em fé e, apesar de todos os pecados, no coração só deseja o amor - e sabe que o caminho só vai dá pra ser caminhado junto se a maioria pegar esse Amor e canalizar nas suas ações, pensamentos e intenções diárias; presente pelo menos por cinco minutos no dia. E enquanto sustenta esse amor, por cinco minutos que seja, que esteja ele embebido, agraciado, pela Fé. Por cinco minutos do seu dia, aja com Amor, apesar de toda a sua humanidade.


O Amor não é humano. O Amor é sagrado. O humano é sujo. A gente se permite a sujeira, não por mal, mas porque não sabemos viver nossas vidas, não enxergamos propósitos, não sabemos o que é para seguir; Babilônia nos confunde, nos afasta do real. Estamos contaminados, mas a culpa não é nem nossa, apesar de, sim, ser culpa da nossa raça, suja por natureza.

Tão suja por natureza que é preciso um Deus intervir na nossa "evolução" e nos pedir para amar. A fórmula já está dada, só falta agora quem lidera e comanda e controla toda essa parada decidir começar agir por amor. Mas acha mesmo que isso pode acontecer? O príncipe do mundo, essas paradas, já foi dito: Babilônia é sua cria. Nascemos neste jogo perverso, ele já estava pronto, somos agora apenas peões, mas como agir a partir disso? Aceitando a condição de peão? Não, obrigado.

Não que minha busca seja por liberdade, o que eu quero tem muito mais virtude: estou na busca do melhor jeito para se viver, com o maior número de pessoas - não me importa se isso vá me tirar alguma liberdade

Se respeitar a natureza retira de mim a liberdade que eu tenho de extorquir ela, me proíba. E Deus meio que proibiu umas coisas, ensinou outras, focando por fim somente e exclusivamente na mensagem do amor, acima da própria , inclusive - e isso quem certifica é o espírito santo, o Espírito da verdade, ele afirma: o amor é o maior dentre todos os dons.

Deus, veio em carne nos dizer: amem. E todos os seus pecados serão perdoados. Sejam capazes de amar a Cristo e eu conhecerei seu coração. Mesmo assim, não somos capazes de enxergar as palavras, compreender a única tarefa necessária para alcançarmos a tão "sonhada utopia".

Isso nos torna uma espécie de falidos? Talvez. Mas talvez seja a partir de nossa incompetência que vamos amadurecendo o que falta. Poderia ser, não é? Não somos falidos, estamos vivendo o caminho - e o caminho é assim mesmo, tortuoso, a gente só precisa aprender a usar as ferramentas (o conhecimento) pra deixar ele menos tortuoso. O que é difícil, mas são 80 anos de vida, o que serão viver quarenta em busca de uma luz?

Se me perguntarem: "Terra, é possível a gente viver num lugar melhor?" eu vou responder que Sim, aí podem me perguntar "TODO mundo viver num lugar melhor?" eu vou afirmar, Sim, e então podem me pedir para eu provar. Nesse momento, vou olhar fundo no olho dela e dizer:

- Convença o mundo inteiro a sustentar o amor por cinco minutos todo dia e verá.

Então, sim, estou pedindo para amarem mais. Sim, estou pedindo para que sigam a mensagem do Amor e neguem Babilônia. Que a gente possa construir algo nosso, não o que nos foi forçado. Que a gente possa retomar o conhecimento que tentaram silenciar. Que com a união das nossas forças a gente possa acabar com as injustiças! E essas palavras grandiosas todas começam nesta pequenina, denominada amor.


Tudo isto dito para dizer que o que falta em quase todas as pessoas que estão movimentando essas paradas é o genuíno amor. Elas estão sendo motivadas pela revolta, pela raiva, mas o que enfrentam são monstros terríveis de perversão. A sua revolta, indignação, até mesmo dor, não significam nada de relevante para pessoas muito poderosas. Agora, comecei-nos a agir a partir do amor para ver se isso não os assustará de verdade. Sabem bem como o amor faz levantes, traz a disciplina, a justiça e a ordem. Sabem do poder do amor e também do poder da palavra, do discurso. Algo que também falta na grande maioria das pessoas: maestria para usar a palavra, junto com este amor aqui que falo. Entende?

Se pudermos sustentar nossa palavra em amor uns com os outros por cinco minutos ao dia, que sejam blocos de 3s espalhados pelas 24H; se pudermos minimamente fazer isso, principalmente as pessoas que estão ali querendo liderar, nós, bom, aí verá o fluxo se transformar numa cachoeira em queda, uma água que bota no lugar tudo o que estava fora.


Esquecemos que, verdadeiramente, não existe Sociedade enquanto matéria. Sociedade do jeito mais simplório possível existe entre a interação de população e indivíduo de seres humanos, estes que, se por cinco minutos sustentarem amor todos os dias, até o fim de suas vidas, estarão colaborando para uma sociedade melhor (onde a "cidadania plena" de fato possa ser exercida por todas as pessoas nesta naçãozinha denominada brasil).


Conclusão

Amem, amém? Vivamos os próximos passos.



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