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Conversa Aberta #7 - komorebi

Passei a manhã e tarde estudando Matisse, Todorov e pensando em Arte.
Senti vontade por sumir por seis meses. Voltar só depois de ter tudo feito.
O que mais quero no mundo é dinheiro. Dinheiro para, supostamente, realizar todos os meus sonhos, como se fosse o dinheiro, não eu, quem vai fazer as coisas acontecerem.
Nem acho que tenho mais sonhos. Minto. Tenho muitos.
Faz tempo que não vejo por trás de cortinas, ou ando nas pontas dos pés, ou sorrio para estranhos num manifesto simples de existência.
Deus está aqui?
Às vezes é melhor viver como ateu, apesar de toda fé.
Antes não voltaria no tempo, hoje, sinto vontade imensa de ser jovem de novo e buscar ainda mais inteligência e sabedoria, aplicando o que sei hoje lá atrás.
Fico agindo como se não fosse todo dia uma nova oportunidade. Não é todo dia uma nova oportunidade? Lembro de mapas dos sonhos que fiz, as noites de bruxaria, feitiçaria, me fazia bem toda aquela nutrição. Hoje? sobra pra mim nada. Desisti do mundo e agora só uno forças suficiente para dar-me um fim.
Minto.
Tenho curiosidade em descobrir como estarei aos 50 anos. Desejo que o tempo passe devagar. Acabo de lembrar que tenho livros para devolver na biblioteca hoje. São três livros. Baudelaire incluso. Cruel. Gostaria de roubar para mim todos os livros que peguei. Sumir do mapa por seis meses. Com os livros da biblioteca. Depois voltar, dizer que enlouqueci, que o mundo pesou o peito demais. Não sei se entenderiam, são tão fáceis os dias para vocês. Pensaria nos ódios, nas raivas, em toda a inveja e que só aos vinte e cinco, quase vinte e seis, que desbloqueei algumas emoções. Agora mal vejo a hora de usar algumas delas.
É verdade. Gostaria de tornar um conto tudo isto, mas parece-me que não escrevo mais contos, nem poesias, nem romances. Que tudo que escrevo são ideias. Que não executo mais nada. Mas minto. Só que ainda não falo para mais de duas mil pessoas ainda. Nem vendi três milhões de cópias de exemplares unindo todo os meus livros publicados. Também não construí minha família, nem tenho um diploma ou um site e identidade visual. Tudo que eu tenho é a minha própria existência somada aos passos que dou nos meus dias.

Posso ir para a biblioteca ou não. Não me importo suficientemente com a pena, com a multa para sair de casa hoje e ir entregar esse livro. O que é triste, pois é algo tão simples, banal. Além de ser o correto, não é? Mas tenho um correto próprio dentro de mim. Sinto genuína preguiça de ordens desse mundo. Algumas coisas são boas e suficientes, outras penso que não levo a sério e caio em mim: todas as pessoas carregam em si exceções.

Maravilhoso pensar que as pessoas são entes vivos,seres respirantes. Maravilhoso pensar que... olhe a goiabeira, o céu, o passarinho. Estão aqui coisas reais. Como a luz atravessando a folhagem da árvore. 

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