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Conversa Aberta #10 - dia 13 de janeiro

 O ano acabou de começar e já podemos estar terminando ele? Algumas pessoas diriam que sim. Eu, pelo contrário, afirmo que está uma delicia viver este novo início de ano.

 Quando criança eu era cheia das listas. Adorava listar minhas metas, por menor que fossem. Hoje parece que cultivei um bloqueio, como se tudo fosse pequeno, insignificante, desnecessário. Mas eu sei que não é, apesar de aparentar.

 Quando jovem parecia que sabia me organizar melhor, mesmo que nenhuma das minhas medidas de ordem tenham acatado em... ordem. Pelo contrário, mais serviam para eu me embananar, procrastinar e, como num episódio de The Big Bang Theory onde os nerds discutem em cima do manual de instruções a respeito do melhor jeito de montar um guarda-roupa, atrasar o que poderia ser muito mais simples de ser resolvido.

 Estou pensando em tudo que me foi roubado, tudo que me sabotei e sinto uma secreta inveja de todas as pessoas que ainda estão nos seus dezoito/dezenove anos, até as que estão nos seus vinte e dois, vinte e três, vinte e quatro. Há um peso de muitas decisões erradas no meu peito. Mas isso me faz pensar que gente nos seus trinta e dois anos também devem estar morrendo de inveja por eu estar perto dos meus vinte e seis anos. Aposto que tem gente que me diria que estou jovem e tenho muito para aproveitar. Aposto que estão corretas. Isso me faz exigir de mim execução plena nesta minha tenra idade, que já me parece tão passada...

 Perdi e ganhei coisa demais. O pior, não soube administrar nada do que chegou até as minhas mãos. Também sinto um medo terrível do sucesso, da perfeição, apesar de ardentemente desejar ela. Mas desejar qualquer coisa é tão pobre. Olhe aí, quero muito algo, mas o que faço para me mover em direção a isto? Sim, tenho meus projetos e um tanto de coisa em andamento, ainda assim, a desordem e a falta de disciplina me atrapalha. Sinto que preciso reiniciar e fazer acordos seríssimos comigo. Coisa de me olhar no espelho e falar: terra, você precisa dar um jeito na sua vida antes que seja tarde demais.

 Talvez todas as pessoas de grande projeção estiveram exatamente onde eu tô. Mas também todas as que fracassaram em construir seus sonhos. Olho para mim mesmo e quanto mais cresço mais responsável pelas minhas escolhas me torno. Ainda assim, parece que pouca coisa muda.

 Me sinto um escritor medíocre, um professor medíocre, uma pessoa sensacional, mas medíocre quanto aos cuidados que leva consigo. Minha indisciplina me irrita e eu preciso entender como lidar melhor com ela. Nunca havia segurado nas mãos esse problema que me acompanha desde o berço. Hoje, seguro nas mãos, reviro ele todo, arreganho os braços, as pernas, estudo cada detalhe pois preciso entender como lidar com isto. Como me desfaço de você indisciplina? Preciso sentar e escrever. Preciso levantar e arrumar a casa, preparar o almoço, limpar o tênis. Preciso sair de casa e correr, puxar ferro, dizer  olá para estranhos e anotar mentalmente o mundo. Preciso sentar e estudar. Levar três horas para cultivar este ofício privado aos de berço bom, de ouro, pois o estudo exige domínio do tempo. Tempo. Sinto que tenho todo o tempo do mundo, mas não consigo administrar bem ele. Minha indisciplina, as dificuldades executivas, sinto vontade de explodir os defeitos, o que ocasionaria na minha própria explosão. Isso significa que sumiriam todos eles! Ufa.

 Mas, estive pensando, realmente desejo o que desejo. Ainda é dia 13 de janeiro e ainda posso ser famoso, rico, construir uma porrada de coisa, ser icônico. Mas é preciso caminhar. Ter disciplina. Responsabilidade. Escolher todos os dias me fortalecer para sustentar tudo o que eu acredito ser capaz.

 Como é complicada a vida, mas tão simples.

 Início de ano. Bora. 2026 É Nosso.

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