Começo a escrever este memorial com o coração entristecido. Fui abatido e me enterraram vivo. Mas eu mereço. Encerro assim então meu 2025: morto. O que é bom. A morte é o começo de um renascimento. Daqui, só transformação.
Como foi meu 2025? O que eu vivi? Foi certamente um ano ruim, mas muito bom. Talvez só tenha aprendido tanto num ano quando ainda era apenas um bebê. Antes, se não era capaz de decodificar os signos da alma, hoje, ao menos, consigo entender por onde começa um trabalho de tradução.
Escutar é uma das habilidades mais bonitas e preciosas. Aprendi também nesse ano de 2025 que humildade e responsabilidade são difíceis de sustentar. Quero ser um humano forte, então preciso saber sustentar coisas difíceis. Pretendo me fortalecer na academia para o ano de 2026. Mas também me fortalecer na mente, no espírito, no emocional.
Quero casar. Mas ser famoso, uma celebridade, também. O que vai vir antes? Será que algum dos dois chega? Não sei sem em 2026, mas em 2025 certamente caminhei caminhos frente a essas duas ações.
Me sinto me autossabotando. Gostaria de falar eu te amo, mas não tenho coragem. Não sinto a fé pra isso.
Como foi meu 2025? Passei na faculdade de Filosofia, o que era para ser um grande marco, mas meu casamento atropelou tudo isso. E nem o casamento se salvou no fim das contas, ou seja, tive um péssimo rendimento acadêmico + vida amorosa simplesmente foi-se num desastre.
Publiquei meu primeiro livro físico. Dei uma aproximada na minha identidade visual. Passei a me assumir enquanto ser espiritual. De verdade. Filho de Deus, nesse estilo, fazer o que, né?
Vendi mais de cem exemplares dos meus livros ao longo do ano. O que me fez feliz e me animou para lançar meu romance enquanto escritor independente.
Sinto que enfraqueci certos laços, ao mesmo tempo que outros foram tensionados, botados em teste, mas mostraram-se firmes.
Sinto que vacilei e retrocedi mil passos em várias escolhas ao longo desse ano. Mas, como falei, em disparado foi o ano que mais amadureci, cresci de verdade.
Estou saindo de 2025 para 2026 tendo resolvido o seguinte: quero projeção da minha imagem e nome, sei o casamento que desejo construir, vou pegar esse diploma em Filosofia. Também estou indo pra 2026 iniciado na injeção de testosterona, com o cabelo grande, matriculado na academia e na fé de que Deus está ao meu lado.
Para o próximo ano eu adoraria me firmar mais. Ter momentos de retiros espirituais. Ser MUITO fiel a mim. Me manter disciplinado e num estado de honraria interna, nos movimentos que preciso dançar. Cortar e ir embora. Saber ficar e esperar o tempo certo. Sabedoria, sempre.
Para 2026, muita saúde e proteção. Muito dinheiro, amor. Muita educação, política, disrupção. Até porque, a verdade mesmo?, não comecei a escrever pensando em finalizar meu 2025 e abrir meu 2026. Comecei a escrever para ser visto. Para registrar meu ciúmes. Para registrar minha morte. Porque, sim, morri um pouco. Mas também continuo vivo. Vivo suficiente para marcar o registro. Vivo suficiente para estar sentindo.
A verdade é que neste texto vou esconder um segredo e uma pequena confissão, na voz de Hilda Hist:
Não é apenas um vago, modulado sentimento
O que me faz cantar enormemente
A memória de nós. É mais. É como um sopro
De fogo, é fraterno e leal, é ardoroso
É como se a despedida se fizesse o gozo
De saber
Que há no teu todo e no meu um espaço
Oloroso, onde não vive o adeus.Não é apenas vaidade de querer
Que aos cinquenta
Tua alma e teu corpo se enterneçam
Da graça, da justeza do poema. É mais.
E porisso perdoa todo esse amor de mim
E me perdoa de ti a indiferença.
Me perdoa todo esse amor de mim. Não queria sentir isso. Mas realmente te amo.
Queria me livrar de ti, esquecer esse sentimento sem lógica. Mas, na verdade, não quero esquecer o sentimento não. Eu gosto dele. Eu gosto de te amar sentir esse sabor. Não é amargo, nem doce. Lembra as bolhas de um refrigerante na língua. Diferente. Moderno.
Como foi meu 2025? Denso. Mas valeu cada segundo, porque ando me aproximando de mim. Gosto do que venho encontrando. Amo, na realidade. Para 2026, que minha vida se encorpe e eu apenas continue. Que as pessoas certas me encontre e eu esteja no lugar certo, na hora certa. Que o universo conflua a meu favor. A mente blindada, o coração batendo. Só preciso dessas garantias.
Que o Senhor bom Deus, nos acompanhe. Pode vir. Estou morto, mas pro velório acabar só preciso levantar do caixão. Bora.
Espero que você tenha tido um ótimo ano de 2025. Que 2026 possa ser babadeiro e vamos juntes nessa;