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Conversa Aberta #3 - 2024

     "Na amargura eu não deixei o homem, eu deixei o falso amigo que falava o seu nome"

    2024 foi um ano. Um grande, grandíssimo ano. Assim como em 2019, larguei uma faculdade e comecei um relacionamento que poderia ser para sempre, mas não foi. Em 2019 foi quando comecei a me reaproximar da Escrita e de Deus. Em 2024 Deus e a Escrita sussurraram: pode construir seu castelo aqui mesmo. Em 2024 eu deixo a infância por completo, assim como em 2019 eu deixei de lado por completo a adolescência.

    Finais de anos carregam essa resina mística em seus últimos dias. Finais de ano são repletos de reflexões, assim como também acabou se consagrando como o momento de renovar as esperanças para o próximo novo ano que vem. Novos ciclos lunares, solares. Vamos reviver as estações, as mesmas posições dos astros, as mesmas que vivemos nos últimos 360 e poucos dias. São isso o que finais de ano representam.

    Queria escrever um milhão de páginas a respeito de finais de anos, resoluções e o Tempo... Há tanto para ser dito... Mas algo que 2024 me ensinou é que as coisas acontecem quando devem acontecer. Ao menos quando nos dispomos a assim enxergar a vida, ou seja, quando somos pessoas de fé. Quando somos pessoas de amor e justiça. Quando somos pessoas de coração aberto para a vida. O Tempo passa. Isso é fato. 2024 jogou na minha cara esse passar do tempo. Até ontem, parece, eu tinha dezoito anos. E parece que dos dezoito até os vinte e quatro pouco mudou, mas, a verdade?, tudo mudou. Eu me revirei por completo aqui dentro. E fico pensando se meus colegas da pré-escola, do ensino fundamental, do ensino médio, se eles sentem esse passar do tempo e se começam a enxergar o que É a vida. E o que ela poderia ser... Ou se sou o único que, quanto mais passa o tempo, mais sede sente... Mais sede por uma transformação radical na política, no mundo... Me sinto inconformado, cada vez mais conscientemente inconformado. Fico pensando se mais jovens da minha idade estão envelhecendo e se tornando mais conscientemente inconformados também. Ou se estão sendo moídos nessa máquina, nessa existência, nessa loucura capitalista e seguindo um dia após o outro. Às vezes eu penso em só ceder para o sistema capitalista. Fazer uma faculdade de administração, trabalhar num banco. Ganhar dinheiro e aproveitar a vida como 98% das pessoas comuns. Trabalhar para viver e viver trabalhando, mas feliz, com uma certa satisfação. Mas, não sei. Me parece insuficiente. Por isso, para 2025, minhas resoluções são simples: continuar com fé no que estou fazendo. E fazer. E seguir com disciplina e responsabilidade. Honrar o que há de mais interno em mim e honrar o que há de mais externo a mim. Ser fiel comigo e com quem me ama. Abandonar as tolices. Me afastar dos perversos. Me manter em segurança, assim como cuidar não só de mim.

    Há vida demais para viver. Em 2024 entendi isso também. Decidi que quero viver até os 112 anos, em 2024. Também entendi que não me importo com essas marcações de datas e que isto é invenção do homem. Quero servir o Espírito, me preocupar com coisas da Vida. Os solstícios e equinócios, as estações, os ciclos lunares, a lua nova, a lua cheia, o nascer de cada dia. São essas as verdadeiras e únicas preocupações que deveríamos ter. Ao invés, estamos distantes de todo o Espírito. Essas maquinações do corpo, a transformação da automatização através da eletricidade, os casos de golpe político no Brasil que estão impunes até agora, tudo problema do homem que contamina o Espírito e nos afasta da Vida. E então um jovem em seus vinte e tantos anos ouvindo Lana no quarto, usuário de Twitter, um GenZ, apenas o pobre produto do seu tempo, desenvolve consciência suprema e plena às 09h09 da manhã de uma terça-feira do dia 31 de dezembro de 2024... O que é a vida, ele se pergunta. Não importa, ele responde. Vê o sol entrecortado no chão, refletido na forma da janela, entre as sombras das árvores também impressas e pensa: é boa a vida. Escuta os pássaros e pensa: é boa a vida. Sabe das risadas que já deu e sorrindo diz: é boa a vida, num tom de constrangimento, como se fosse errado curtir em pleno colapso da humanidade, ao menos de minha classe.

    

    Mas quando foi que tivemos controle de algo? Deus é quem sabe de tudo. Minha fé. 2024 me ensinou o que é fé. Uma pergunta que surgiu lá em 2019 também.
    

    2024...uma combinação numérica. Números. O grafismo e o som dos números é arbitrariedade humana, mas é retrato da Criação. A matemática é isso né? deus? O que mais tenho para falar? É um número composto, divisível por 1, 2, 11 e 23. Par. Ano bissexto? Sim. Também ano de eleição para prefeituras na federação brasileira. Ano de muito desastre ambiental, crescente conscientização também, elemento fogo muito presente.
    2024.
    2024.
    Dez anos atrás eu falava de 2014, daqui dez anos vou falar de 2034 e serão as mesmas ou diferentes as maturidades? Quanto ainda para desenvolver, não é? Quero viver até 2112! Gostaria? Provável... Quanto tempo até lá...

    Adeus, 2024!, o que quer que isto signifique, sou muito grato. Vi gente que amo, aprimorei minhas perspectivas, dancei com alguns demônios, as raízes estão chegando mais fundo e meu tronco fortalece. Cada vez me vejo mais em mim e me sinto lindo. Consigo cada vez mais me ver e isso me deixa feliz. Passei minha infância e adolescência tentando me amar e agora estou aprendendo. O amor é difícil porque exige paciência e mais um monte de coisa que só vou ter vivendo e aprendendo. Mas é bonito. E esse ano foi um ano de amor para mim.
    Tive um relacionamento que me doeu muito a transformação, mas nele eu tive dimensão do que É amor. O respeito, o arrependimento, a misericórdia. Me aproximei muito de Deus e vi a beleza, senti a paz, de encarar o tronco de uma árvore e suspirar: desculpa por toda a merda que minha espécie comete. Se eu fosse vocês também não perdoava. Esse ano chorei muito. Muito. Como fazia tempo que não chorava, talvez a última vez que chorei assim foi em 2019 ou talvez 2011. 2024 foi um ano também regido por água na minha existência, ainda que eu não tenha visto uma gota de água de mar e cachoeira. Minha relação com a chuva renovou, algo que venho construindo desde 2014. Em 2024 fazem dez anos dessa reelaboração.

    2024. O que teu 2024 te inspirou, cara pessoa que lê? O que você leva de lições hoje para o dia de amanhã? Por acaso, o ano será diferente, mas tua vida não. Todos os dias levam aos outros, não esqueça. Deus imensamente abençoe você, caso seja de tua vontade essa oferta. Que a graça de Jesus Cristo, seu amor, alcance seu coração e a paz possa estar com você.

    Saúdo toda a Natureza, todos os meus Sentidos que me acompanharam, as Pessoas que esbarrei, cruzei, toquei, beijei, abracei. Toda gente que cultivei amor e afeto. Toda gente que nutro um grande carinho, que meu carinho alcance vocês daí.
    Toda gente desconhecida que apertei as mãos, que me compartilhou seu nome. Para todo segredo que ouvi. Saibam: estão bem guardados.
    

    Que em 2025 eu use melhor meu livre-arbítrio, ganhe o prêmio Nobel da Medicina e seja laureado como presidente do Brasil. Basta eu querer e me esforçar muito! Talvez eu até consiga lançar o meu primeiro livro profissionalmente, enquanto escritor, e acabar um romance. Quem sabe?



    Que seja um 2025 abençoado e amoroso para todes nós.

    Com atenção e afeto,
    Terra Pessoa

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