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devaneios em tempo real #1

daqui três horas começo uma prova que quero muito ir bem. os temas são história e geografia, então vou precisar de toda ajuda espiritual possível para que a mente faça resgastes e todo o silêncio e limpeza mental para que eu possa me concentrar nesses resgastes lapsos e intuições que possam vir.

a verdade é que eu tô confuso. tive sonhos horríveis, mas que pontuou e me localizou no mundo de muitas formas. eu me sinto triste, tremendamente triste. odeio despedidas e pôr um fim nas coisas. Senhor, por que tão difícil sustentar a existência humana em meio aos humanos? de onde vem tanta dificuldade? quais os motivos para isso?

eu gosto de trocas sinceras. e odeio manipulação. e ao mesmo tempo que quero explodir em gentileza e solidariedade com o mundo, desejo que tudo se foda e vá a merda. mas se eu investigar profundamente e se eu for cruelmente sincero comigo... eu sei quais são as minhas reais vontades enquanto escritor, enquanto pessoa. principalmente enquanto pessoa, antes de ser artista. mas enquanto artista também. enquanto filho, irmão, amante, amigo. eu sei quais são minhas reais vontades a respeito do Eu que sou e elaboro neste mundo que faz da minha argila um mero barro.

mas o que importa o mundo?

a verdade? tantas.

preciso limpar a mente e concentrar na prova.

como é angustiante não escrever poesia.

sim.

não.

o mundo é um moinho, mas não sou grão pra este moinho. mesmo que seja isso que Eles esperam de mim.

quero falar sobre amor. e sobre romance. sobre sentimento. sobre a busca por conexões profundas e o encontro delas. e que intimidade não é tudo. ao mesmo tempo que é. e quero falar de mentiras. e covardias. a falta de coragem. não temos coragem para nada que importa. quero falar de dor. e de história. e de geografia. humanidades.

penso muito em honestidade agora. se for para ser sincero... o que a bruta sinceridade se amostra em mim? a bruta sinceridade básica, considerando que sou apenas um cara básico, começa no mais simples ponto a respeito da minha humana composição.

meu número de destino é 6. talvez isso explique muita coisa, talvez não.

quero casar. quero ter uma família grande de uns seis ou sete filhos. quero ter muitos lançamentos de livros, dar muitas palestras, fortalecer muito a arte independente e escrever um tratado de filosofia política que pode ser verdadeiramente relevante para a sociedade. não quero entrar para a política institucional. mas fazer pesquisas acadêmicas, trabalhos socioeducacionais e caminhar muito.

quero ter músculos, ser saudável no sangue, ter uma pele linda e hidratada, ser capaz de comprar perfumes que acho gostosos, vestir roupas que me agradam, mas não ser vaidoso demais no dia-a-dia, só naturalmente bonito e ajeitado.

quero saudar o sol e a lua cotidianamente. quero Deus me abençoando e seguir muito do que Jesus Cristo apontou como sendo o caminho, a verdade e a vida.

quero tocar nas águas de uma cachoeira e recarregar toda a minha existência ali, naquele pedaço de mágica. quero viajar. quero muito viajar, mas mais que viajar, explorar, me aventurar, conhecer e reconhecer este quintal enorme que é o planeta que leva meu nome.

desejo colher frutas do pé. muitas frutas. quero fazer refeições inteiras com alimentos cuidados por mim. e esse sonho me parece ser o mais distante de realizar. mas não importa, isso não me faz sonhar menos.

eu quero falar de amor. quero muito ser simples e um desses escritores imortalizados que sofreu muito nas mãos de um amor. tudo por amar e sentir demais.

meu despertador acabou de tocar.

tenho prova daqui duas horas e meia.

estou tem trinta minutos elaborando caminhos para botar as ideias no lugar. estou tão triste. mas não é tristeza o nome do que sinto. é outra coisa. é uma espécie de redenção, impotência, aceitação e, aí, por fim, tristeza.

não me sinto mais confuso. sei exatamente onde piso.

ontem, enquanto caminhava, pensei: não me importa as trilhas se todas me levam para o mesmo lugar.

eu sei para onde estou indo e que a minha caminhada me levará lá. nada mais importa de fato.

o que eu sei e o que não sei... coisa irritante essa de querer saber tanto sobre tudo, de ter respostas, de desejar o controle. coisa irritante demais ser um humaninho como sou. mas ao mesmo tempo acho encantador. me amo demais. mesmo que nada mais me valha, ainda tenho Deus ao meu lado e, o mais importante neste plano material, a fé em mim. tenho amor por quem sou. eu me amo tanto, mas tanto. e não costumo respeitar em absoluto quem amo. os motivos? talvez questões das infâncias... quem sabe?

o céu está azul. já orei o meu pai nosso. estou com vontade de chorar ao mesmo tempo que muito agradecido pela minha vida ser a minha vida. meu maior interesse é a minha vida. e descobri que quero viver até os cento e doze anos, no mínimo. espero conseguir. vou orar bastante e cuidar do meu corpo com equilíbrio para que isso aconteça.

imagina! chegar aos 60 e saber que ainda estou na metade da minha vida! que delícia. e quero envelhecer com lucidez, certamente. e saúde. nada de um corpo fragilizado. se for para ter  um corpo fragilizado, prefiro a morte.

e espero chegar aos cento e doze anos sendo pai, avô, biso. quem sabe meu par ainda exista, espero que sim. espero que meus irmãos existam. a maria certamente deve ainda existir, vai estar jovem, com uns noventa anos quase.

quero ver o sol brilhar muito ainda! e viver cada surpresinha que o mundo tem guardado. aproveitar os dias sem pressa, mas com coragem. sem covardia, bastante vitalidade, sabedoria e paciência, tendo em mente que haverão os dias em que sim e haverão os dias em que não. e cada posicionamento é importante para cada momento de vida que lhe é exigido. mas como dói ser humano e não Deus! mas mesmo Deus deve se incomodar de ser Deus. se pega pensando: ih caralho por que eu fui inventar esses babados todo? certamente Deus deve pensar algo assim.

para finalizar essa limpeza estes devaneios estas palavras afins cujo propósito é o fluxo e a exaltação de uma individualidade angustiada, peço: cuide de meu coração, Senhor. cuide de minha alma. me afaste de todas as pessoas que não te recebem e nem estão interessadas em te compreender. me aproxime das pessoas que também são luz e estão para cumprir grandes propósitos neste mundo. permita que eu alinhe todo o meu corpo frente às suas vontades e me ajude a discernir entre o correto e o errado. me ajude a agir com maestria nos momentos de encruzilhada. me faça perceber e despertar para tudo aquilo que posso estar cego e adormecido.

tive sonhos horríveis essa noite. mas foram sonhos que significaram coisas. me ajude a processar e lidar com o horrível. que eu possa ser menos teimoso, menos tolo, menos ingênuo e menos arrogante. que eu sempre me lembre do essencial, das virtudes e do amor. que eu lembre do quão sagrado é meu corpo, a existência do meu Espírito aqui em carne, que eu não esqueça o sagrado que Sou. e eu sendo sagrado, que eu não esqueça de agir conforme essa energia. que a minha realidade se desdobre e que qualquer má intenção que chegue até mim seja repreendida. inclusive os meus próprios pensamentos ruins, repreendo todos eles em nome de Jesus Cristo.

se tenho poderes através de Ti, por que eu não usaria eles? se posso usufruir de algumas vantagens, por que viver como se eu não pudesse?

eu escuto vocês, meus guias e mandantes de Deus. percebo. mas escuto também. vejo, leio os sinais. sei que orquestram as coisas. sei que sou teimoso também, que eu peço, recebo e nego. pois sou teimoso e burro. e de que serve tanta inteligência e potencial quando compartilha no mesmo corpo tanta covardia, teimosia e burrice? de que serve as joias se só sobraram os porcos para vestir?

sou eu um porco? ou sou eu um príncipe? um místico, um Espírito, um Filho?

sou eu um porco ou sou realeza da mais pura essência?

ou sou eu apenas um humano?

não. apenas um humano não sou. vejo essas pessoas que se enxergam somente como humanas e vejo o quanto sou diferente delas. ou sou um anjo ou um demônio. e nem me importo mais com o demônio ou o diabo. mesmo que ele tenha me pegado, sim. eu sei que o diabo me confundiu e me acessou. mas, diabo, caso você esteja lendo isso, saiba, de espírito para Espírito, gostaria de conversar com você, olhar no seu olho e chegar num acordo. ou você é tão estúpido quanto nós humanos e não sabe conversar? ou só não te interessa, afinal, quer e gosta mesmo é do caos? o que você não percebe é que... bom... Deus vai te amostrar...  não Eu. Eu sou apenas um corpinho. algo entre um porco e um príncipe, um anjo e um demônio, seja-lá-o-que-isso-significa. Eu sou apenas... eu. este ser que pode ter tido vidas anteriores, que pode ter vindo de outro plano, que pode ter escolhido reencarnar neste plano pelos mais diversos motivos... Eu.

sou um ser vivendo esta experiência humana pela primeira vez, esta vida pela primeira vez, mesmo que eu encontre outros espíritos e humanos que já trombei em outras vidas, que já cultivei outras ligações kármicas e afins, é tudo novo, é tudo pela primeira vez, é tudo novo.

é tudo novo de novo. será?

tenho uma prova para fazer daqui duas horas. e tudo o que eu queria era engolir respostas e mergulhar em conversas profundas. talvez o que eu precise seja do silêncio absoluto que só um mergulho pode entregar.

Senhor, este dia está sob a sua bênção, assim como todos os outros. te agradeço por tudo e peço perdão por todo deslize. também peço que me dê forças para perdoar e amar as inimizades ao redor. sei que Tua justiça e verdade para sempre prevalecerá e isso me acalma. Pai, me aproxime de Espíritos.

Perdão ser apenas um cachorrinho frente da sua sabedoria toda. Não é muito sagrado da minha parte ser tão bobo, mas ao mesmo tempo, sou um humano, não posso esquecer também. É sobre o equilíbrio. E que eu me lembre de tudo o que preciso me lembrar a respeito de História e Geografia.

Te amo, meu Deus. meu Deus que é meu Pai. Te amo.

preciso do silêncio agora. da mente. deu pra cuspir um monte de coisa e ordenar.

como são bons devaneios. faz parte do processo literário também.

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