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Conversa Aberta #5 - Talvez um pouco de devaneios e A Biografia Do Autor

Gostaria de escrever um texto mais sério. Mas me ocuparei em no mínimo escrever um pouco de literatura. Não algo lírico, talvez um pouco mais político, mas honesto, sincero, que nos faça pensar em Mariana Alcoforado, sua paixão ardente que nos prova que é ancestral também o dilema entre prazer e dor que somente um grande coração humano seria capaz de sentir.

Mariana Alcoforado é prova de como a literatura é porta de escoamento, a freira-bruxa com o coração aos pedaços, solitário, mas ativamente escreve para amplificar sua voz, sentimentos... Não sei, sei que meu primeiro livro é um romance construído entre delirosas cartas de amor entre esse sujeito chamado Sofia e seu amor, que não se sabe se é real ou não.

A história de um delírio - uma história Humana, esse é o meu primeiro romance. Minha primeira novela. Um rompimento dramático, melancólico, escrito por mim aos vinte anos. Então, aos vinte, também escrevo Poetas Falam Sobre O Quê e começo Sobre Coisas.

Aos vinte e três publico cinco livros de poesias, contando as reedições de PFSOQ e SC.

Aos vinte e cinco publiquei meu sexto livro de poesias, sagradas escrituras.

E, no passado, uma novela também chamada a história com ele e tenho engavetado tanto, tanto mais. Queria tempo, muito tempo. Dinheiro infinito para bem me manter neste espaço. Vejo minha biografia e estou depressivo, confuso, não estou sozinho, mas me sinto solitário, perdido, vejo o mundo e vejo o tanto que pertenço a ele. Esses dias me descobri árabe-báltico-latino. Me senti legitimado a ser cristão, pagão e um pouco umbandista também. Fiquei feliz com minhas raízes. Me deu sede de querer conhecer mais.

Fiquei pensando também quanto tempo faz que não me aventuro com coisas que me deixam feliz de verdade. Também sinto sede de escrever um romance ardente, aquela coisa que vai me sugar o espírito e precisarei de dias para me recuperar da ressaca. Como, penso eu, como fazer tudo que desejo?

Ontem eu fui no CAPS. Irei semana que vem e, assim como os medicamentos, talvez seja algo assim que levarei até o fim da minha vida. Bom é se assumir.

Desativei o Twitter e o meu Instagram pessoal. Quero ser eu apenas no quarto, entre meus amados e íntimos no tempo presente que a gente for se compartilhar.

Aos dezoito anos achava que estava envelhecendo. Agora aos vinte e cinco, sinto o mesmo. Me vejo ficando mais bonito, mais maduro, mas também sentindo a urgência de me entregar de cabeça para o cuidado com a minha saúde de corpo, alma e mente.

Penso em tanta baboseira, gente bobona que fui conhecendo e que dei valor como se fossem de fato alguém. São nada. Não para mim.

Penso muito nas pessoas que são especiais e incríveis e não sou capaz de cultivar nada de especial porque sou eu também um bobão. Mas me lembro que não importa quão bobo eu seja, não importa, pense só comigo, quem for para ficar, vai. Relacionamentos feitos para bem-desenvolverem, vão. Só para um crescimento de planta envenenando ela ou tirando seus acessos aos nutrientes... Penso eu assim.


Quero escrever as peripécias de uma grande rainha. Quero exaltar as mulheres do mundo, construir histórias ao redor de BUCETAS, de vulvas, corpos fisiológicos que são capazes de gestar, produzir leite, comida. Um corpo capaz de produzir alimento. Que loucura, não é? Como foi que essas tais mulheres se tornaram tão condenadas? Corpos tão fodidamente fodas feitos para acreditarem que são frágeis. Óh, meu Senhor.

Ir atrás de córdeis e cancioneiros. Quero conhecer tudo que já saiu da boca de poetas. Bardos, cantores, serão bem-escutados por mim também. Cantigas, baladas, histórias difundidas, quero todas elas construindo sentidos em mim.

Quanto de mítica existe num romance?

Quero escrever um romance de vivência transsexual. Transmasculina, principalmente, pois vou falar de mim.

Quero falar sobre um trans árabe-báltico-latino. Falar uns dez idiomas, cento e um dialetos e não provar nada para ninguém.

Ouvi de um ex-namorado que ele não deve nada para ninguém, para nada. Eu acho que eu devo sim, devo um monte, mas isso não me perturba, me faz querer continuar, na realidade.

Imagina todos os dias ouvir o quanto é uma pessoa bonita e amada...

Comi uns vinte chicletes poosh! hoje. Talvez mais.

Quero seguir a vida na literatura, quero ser um artista completo, o que quer que isso signifique.

Viver o amor em sua caminhada...

Amor é tema inesgotável da literatura. Quão bom é saber que o que não se vive na vida efetiva, vive na realidade literária e artística.

Quero pensar em todas as socializações. Somos seres que se fazem socialmente.

Colocam mulheres para serem freiras para evitar que fossem... humanas. Pois uma mulher humana é necessariamente uma bruxa. O análogo feminino do Homem não é Mulher, mas Bruxa. A paixão é dura, matéria inesgotável, é onde reside o verdadeiro mistério, por isso Deus em tantas religiões se aproxima dIsto.

Quero escrever sobre o ser-mulher e também escrever sobre tantas e tantas coisas... Dez milhões na minha conta hoje e eu fico mansinho, feliz, nem me preocuparei com mais nada, mas essa é a mentira que me conto enquanto humano. Não quero só os dez milhões, quero a caminhada também. Gosto de viver um dia após o outro.


O amor era um sentimento masculino. Eram os homens quem cantavam o amor. A mulher demorou até dizer: eu amo.

O amor tornou-se feminino? Ou ainda não é dado ao feminino o direito do AMOR? Como quem gesta não poderia amar? O próprio amor é gestacional...


O texto foi um nada, mas talvez seja isso que o torne realmente profundo.


Uma carta de amor lamentoso preciso escrever uma para a próxima semana...


Até a próxima semana.

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