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Poema #3 - [sem título]

não nasci com dentro de mim uma palavra. por mais que existisse já tudo que conheço pela palavra. as quatro paredes de concreto, o gesso, a pia, o banheiro, o cupim comendo a porta, o pelo do gato, a falta de ordem, a louça suja, o desdém e até a promessa de que circos são engraçados e palhaços são para divertir (mas também com eles os assassinatos, os serial killers e aquelas coisas de webdeep, conquanto não houvesse a web  como bem a conhecemos: o espaço de rede em absoluto, sem freio : o espaço que estamos por navegar como seres solitários, performáticos, determinados ao que são, como se nascessem com nós lá dentro, a palavra, como se verdade fosse uma fotografia, parada que não se mexe, não se move, foi dita tem mil anos e não se pode provar no presente pois de tão vazio que nascemos o que mais queremos é alguma certa certeza de que existe uma essência essencial no âmago desde a nascença

Conversa Aberta #6 - Sonhos e Amadurecimento e Mundo Adulto

 Talvez não tenhamos nascido para realizar sonhos. Talvez não haja motivo para termos nascido. Estive pensando hoje em como amadurecer é abrir mão de confortos internos e seguranças pequenas, como é duro cultivar virtudes e responsabilidades, mais duro ainda querer ser moralmente elevado e de puro coração. Estive pensando na ideia de mentiras e traições. Como é fácil ser vilão, ou ao menos como é mais fácil ocupar o papel de alguém indiferente do que ser alguém verdadeiramente esforçado. Será que existe por aí, ainda, alguém para mim? Uma pessoa que tão profundamente me queira a ponto de profundamente desejar me compreender? Na mesma época do ano passado estive passando pelas mesmas situações que passo agora: um término, mudanças bruscas, visita para Minas Gerais, pequenos incêndios por toda parte, renascendo das cinzas. Nessa mesma época no ano passado eu buscava vingança, era mais imaturo, menos adulto, sonhava com mais fervo. Hoje? Diluo os sonhos na água da razão, do dia-a-dia,...

devaneios em tempo real #3 -

eu tenho medo demais de tudo dar certo. imagina ser famoso, ser conhecido, ser lido, ter pessoas te levando a sério, pessoas te estudando!, imagina ser odiado, comentado, venerado, admirado, idealizado, fantasiado, imagina viver num imaginário e ter palavras que se sustentam no coletivo, ideias que ecoam... não que eu precise de fama para alcançar todas dessas coisas. sei disso também. quero montar um podcast, ter uma revista, um canal no youtube, ser produtor de conteúdo nas redes sociais, influenciador, um pesquisador, romancista, poeta, produtor de evento e cultura, educador, mas aí você começa a caminhar para ser tudo e acaba não sendo nada, então, valeu a pena? vale a pena? poderia escolher só um de algo? mas nem faz sentido! o que faz sentido mesmo é eu ser terra, eu mesmo, esse Ser, sendo como bem É. fazendo o que faço e fodam-se os adjetivos. estarei lendo, estudando, passeando por espaços, me escondendo, aparecendo, fluindo no espaço, vivenciando o tempo dentro desta matéria. ...

devaneios em tempo real #2 -

      Acabei meu sexto livro de poesia. Esse é o dado. Aos vinte e quatro anos, seis livros de poesia escritos e elaborados.     Outro dado? Penso em covardia.     Comecei a escrever tem muito tempo esse devaneios número dois. Já vendi uns 120 exemplares. Estou indo com calma.     Hoje sofri um divórcio. Estou oficialmente voando com minhas próprias asas. Mas minhas asas estão meio sujas, empoeiradas, frágeis, sem músculo, medrosas.     O divórcio não foi conjugal, matrimonial, mas materno. Me sinto despatriado, sem família. Na realidade tudo isso é um drama, mas um drama que dói real, porque convive comigo desde muito muito criancinha. Só que agora não sou mais criancinha. Já tenho asas grandes e fortes, ou ao menos deveria ter.     Talvez eu até tenha, só que ainda tô fraco demais pra conseguir abri-las. Me sinto mesmo fraco. Covarde, mais covarde que fraco. Mundo assustador. Odeio brigas. Não quero caos, não quero probl...

Conversa Aberta #5 - Talvez um pouco de devaneios e A Biografia Do Autor

Gostaria de escrever um texto mais sério. Mas me ocuparei em no mínimo escrever um pouco de literatura. Não algo lírico, talvez um pouco mais político, mas honesto, sincero, que nos faça pensar em Mariana Alcoforado, sua paixão ardente que nos prova que é ancestral também o dilema entre prazer e dor que somente um grande coração humano seria capaz de sentir. Mariana Alcoforado é prova de como a literatura é porta de escoamento, a freira-bruxa com o coração aos pedaços, solitário, mas ativamente escreve para amplificar sua voz, sentimentos... Não sei, sei que meu primeiro livro é um romance construído entre delirosas cartas de amor entre esse sujeito chamado Sofia e seu amor, que não se sabe se é real ou não. A história de um delírio - uma história Humana, esse é o meu primeiro romance. Minha primeira novela. Um rompimento dramático, melancólico, escrito por mim aos vinte anos. Então, aos vinte, também escrevo Poetas Falam Sobre O Quê e começo Sobre Coisas. Aos vinte e três publico cinc...

Poema #2 - Quando Me Vi Universalizado

Quando me vi universalizado não foi quando encarei o espelho, não foi quando vi de um peito o chute de um coração. Não me vi universalizado no livro escrito um bom conselho que dizia-me: a alma é leito do amor à tentação. Quisera eu mimosas colchas para meu espírito meditar sobre do que é feita alma e qual a cor de acreditar num Deus que cria conchas, do barro faz Gente respirar até desacreditarem na alma e da Força que a fez brotar. Quando me vi universalizado chamei de vadia minha prima, cortei minha barriga com as unhas, desejei ser como a seiva entre a pressão dos meus dedos. Me vi universalizado no ato de humildade ao assumir os meus erros. Lembrei-me da rima: bela e singela. Dos meus pecados fui testemunha, quando me universalizei não fui Deus, só esta coisa que se supunha.

Conversa Aberta #4 - O âmago da humanidade: o Amor

     Aproveitando que ainda estamos em Junho, mês do dia dos namorados, resolvi me debruçar sobre o que entendo enquanto amor .     Em 1 Coríntios 13 está escrito brevemente uma perspectiva Cristã do que é o amor: uma potência perfeita. Estudando Hannah Arendt para a faculdade de Filosofia, em sua obra A condição humana , sabe o que mais é demonstrado muitas vezes como potência? A ação  humana. E não é Deus o amor e o Verbo ?     Não sou defensor da "essência humana" como essa alma romântica que deve se abrigar num único corpo e construir assim sua vida com um complementar, alguém que está ali para te ser estrutura em vida porque assim estava escrito nas estrelas. Não sou defensor, mas sou entusiasta, e, enquanto entusiasta, eu fui atrás para procurar se existe mesmo, de fato, ou não, algo como isso. Talvez pelos romances que li demais, talvez por conta das faltas da infância, ou só porque me encantei pela possibilidade de que existe alguém aqui ...